A Formação do Canon Do Novo testamento, uma vista rápida na história

Por 10 de abril de 2019 Artigos e Notícias
Por Orlesson de Souza

 

A Igreja se baseou em três critérios para determinar quais livros eram canônicos. Primeiramente, acreditava-se que os documentos deveriam ter conformidade entre o documento e a ortodoxia, ou seja, a verdade cristã reconhecida e normativa nas igrejas. Em segundo ponto, os pais da Igreja acreditavam que era necessário ter apostolicidade, que, como critério, veio a incluir aqueles que estiveram em contato direto com os apóstolos. Nesse sentido, era entendido que o evangelho de Marcos era ligado a Pedro, e o de Lucas a Paulo. O terceiro critério era a aceitação disseminada e contínua de um documento e seu uso por igrejas em toda parte. É assim que Jerônimo insiste que não importa quem escreveu Hebreus, pois de qualquer maneira esse livro é a obra de um “escritor da igreja”.

Eusébio de Cesaréia (260-340), cujo ponto de vista é baseado nos pais alexandrinos Clemente e Orígines, ao tratar do cânon do Novo Testamento, elabora uma classificação tripartite: os livros reconhecidos (homologoumena), os livros questionados (antilogomena) e os livros introduzidos pelos hereges em nome dos apóstolos, mas rejeitados por aqueles que Eusébio considera ortodoxos. Ele incluiu os quatro evangelhos, Atos, 14 epístolas paulinas (Hebreus), 1 Pedro, 1 João e, aparentemente, Apocalipse. Eusébio subdivide os livros questionados entre aqueles geralmente aceitos (Tiago, Judas, 2 Pedro, e 2 e 3 João) e os que não são autênticos (Atos de Paulo, Pastor de Hermas, Apocalipse de Pedro, Epístola de Barnabé, o Didaquê). A terceira categoria, que abrange escritos claramente heréticos, inclui evangelhos como os de Pedro e Tomé, atos de Andre e João.

A igreja oriental, pelo menos como é representada pela Peshitta Siríaca, omitiu 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e o Apocalipse, que é seguido hoje em dia pela igreja síria. O argumento de que a igreja levou um tempo demasiadamente longo para estabelecer um cânon neotestamentário com autoridade eclesiástica é claramente infundado, por mais que estes escritos não estivessem organizados e sistematizados, a igreja já reconhecia sua autoridade e mesmo que fossem fragmentos, estes autógrafos já eram reconhecidos oficialmente pela igreja.

Deixe um Comentário