Como enfrentar crise no casamento sem pensar em desistir

Por 14 de julho de 2019 Devocionais

Mateus 19.5,6
… Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher; tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.

Reflexão


Hoje nós falamos repetidamente que família é o nosso problema número um. A família tem sido atacada vigorosamente pelas perigosas filosofias pós-modernas. Os fundamentos têm sido destruídos (SI 11.3). Estamos vivendo no meio da era pós-moderna, em que os valores absolutos das Escrituras não estão sendo observados, mas repudiados. O que temos hoje não é apenas um comportamento imoral, mas a perda de critérios morais. Estamos enfrentando não somente um colapso moral, mas um colapso de significado. Não há absolutos. Gene Edward Veith afirma que, se não há absolutos e a verdade é relativa, então não pode existir estabilidade. Consequentemente, a vida perde o seu sentido. Os inevitáveis resultados do relativismo deste tempo são a falência dos valores morais, a fraqueza da família e o aumento espantoso da infidelidade conjugal. Valores relativos acompanham o relativismo da verdade. Em 1969, bem no meio da “revolução sexual “, 68% dos americanos acreditavam que a relação sexual antes do casamento era errada. Em 1987, mesmo a despeito do surto de aids, somente 46% acreditavam que o sexo antes do casamento era errado. Em 1992, apenas 33% rejeitavam o sexo pré-marital. A infidelidade conjugal tem sido uma marca da sociedade contemporânea. Segundo algumas estimativas, 50 a 65% dos maridos e a das esposas têm sido infiéis até a idade de 40 anos. Outros identificam que 26 a 70% das mulheres casadas e 33 a 75% dos homens casados têm se envolvido em algum caso extraconjugal. Casos extraconjugais são não apenas comuns, mas altamente destrutivos para os casais.

O divórcio tem sido estimulado como uma solução para casamentos em crise. Comentaristas sociais são notórios em afirmar que metade dos casamentos nos Estados Unidos termina em divórcio. Contudo, o divórcio não é uma sábia solução para casamentos em crise, mas um sério agravante, um outro problema que, na maioria das vezes, traz profundo sofrimento e frustração. A psicóloga Diane Medved diz que os casais estão chegando à conclusão de que o divórcio é mais danoso do que o casal enfrentar a crise junto. Os prejuízos provocados pelo divórcio são devastadores a curto, médio e longo prazos. Há muitos casais e filhos arrebentados emocionalmente pelo divórcio.

A presença de casamentos em crise, casamentos quebrados e até mesmo do divórcio está aumentando não apenas entre os não cristãos, mas também dentro das comunidades evangélicas. As pessoas divorciadas estão flutuando dentro das comunidades cristãs. Há muitos líderes religiosos enfrentando o divórcio. Esta é uma realidade que não pode ser negada. Contudo, à luz das Escrituras, o divórcio não é a solução divina para a crise do casamento. Não é sensato fugir do problema em vez de enfrentá-lo. De fato, não existe casamento perfeito. Não há casamento sem problemas. Todo casamento exige renúncia e adaptação. Nenhum casamento sobrevive sem perdão e restauração. Muitas pessoas hoje estão discutindo e buscando o divórcio antes de entender o que as Escrituras ensinam sobre o casamento. Casamento não é uma união experimental. A aliança conjugal não termina quando as crises chegam. Só há duas cláusulas de exceção para o divórcio nas Escrituras: a infidelidade conjugal (Mt 19.9) e o abandono (1Co 7.15). Divórcio por quaisquer outros motivos seguido de novo casamento consiste em adultério (Mt 5.32).

Como, então, enfrentar as crises no casamento sem pensar em desistir?

1. RECONHECENDO QUE O CASAMENTO NÃO É UMA INVENÇÃO HUMANA, MAS UMA INSTITUIÇÃO DIVINA (Gn 2.18-24).

O casamento não é um expediente humano. O próprio Deus estabeleceu, instituiu e ordenou o casamento desde o início da história humana. Gênesis 2.18-24 revela que o casamento nasceu no coração de Deus quando não havia ainda legisladores, nem leis, nem Estado, nem Igreja. O casamento é um dom de Deus para a raça humana. Deus não apenas criou o casamento, mas também o abençoou (Gn 1.28). Qualquer esforço de atentar contra os princípios estabelecidos por Deus para o casamento conspira contra o próprio Deus, que o instituiu. Por isso. Deus odeia o divórcio (Ml 2.14).

2. RECONHECENDO A NATUREZA DO CASAMENTO (Mt 19.4-8).

Quando Jesus foi questionado pelos fariseus sobre o divórcio (Mt 19.3,4), ele não discutiu o assunto antes de talar sobre a natureza do casamento, de acordo com os princípios estabelecidos na própria criação (Mt 19.4-8). De acordo com o padrão absoluto de Deus, estabelecido na criação, o casamento, em primeiro lugar, é heterossexual (Gn 1.27). União homossexual é abominação para Deus (Lv 18.22; Rm 1.24-28). Em segundo lugar, o casamento é monogâmico (Gn 2.24). Em terceiro lugar, o casamento é “monossomático” (Gn 2.24). João Calvino disse que a união do casamento é mais sagrada e mais profunda do que a união dos filhos aos pais. Nada, senão a morte, pode separar os cônjuges (Rm 7.2). Em quarto lugar, o casamento é indissolúvel (Mt 19.6). Jesus afirmou que marido e mulher não são mais dois, mas uma só carne, e o que Deus uniu o homem não pode separar. Divórcio, portanto, é uma rebelião contra Deus e os seus princípios. Em quinto lugar, o casamento não é compulsório. O celibato é um dom de Deus, e não uma imposição (1C0 7.32-35). Embora a razão do casamento seja resolver o problema da solidão, Deus chamou alguns para serem uma exceção à sua própria norma (Gn 2.18,24; Mt 19.11,12; 1Co 7.7).

3. RECONHECENDO QUE EM DEUS PODEMOS SUPERAR AS CRISES DO CASAMENTO SEM AZEDAR O CORAÇÃO (Mt 19.7,8).

Jesus disse aos fariseus que o divórcio nunca foi uma ordenança divina, mas uma permissão, e isso por causa da dureza dos corações. O divórcio ocorre porque os corações estão endurecidos. Dureza de coração é a indisposição de obedecer à palavra de Deus. É a indisposição de perdoar, restaurar e recomeçar o relacionamento conjugal de acordo com os princípios de Deus. Segundo Jesus, o divórcio jamais é compulsório onde existe espaço para o perdão. O divórcio é resultado do pecado, e não uma expressão da vontade de Deus. O perdão e a restauração são melhores do que o divórcio. O divórcio não é compulsório nem em caso de adultério; a restauração é melhor do que o divórcio.

Concluindo, ressaltamos que a igreja precisa dar ênfase a famílias fortes. Casamentos estáveis resultam em famílias, igrejas e sociedade saudáveis. A solução para o casamento e para a família não está nos modelos falidos da sociedade pós-moderna, mas na Palavra de Deus. O mesmo Deus que instituiu o casamento tem a solução para os casamentos em crise. Somente Deus pode curar relações quebradas, trazendo esperança onde os sonhos já morreram; trazendo vida onde as sombras da morte já escurecem os horizontes; trazendo cura e restauração onde as feridas estão cada vez mais doloridas. O grande desafio para a igreja e a sociedade contemporânea é retornar para Deus e obedecer aos seus mandamentos. O mesmo Deus que criou o casamento tem solução para ele. Deus é o criador, sustentador e restaurador do casamento. Quando ele reina no casamento, o divórcio não tem espaço.

Decisão


Quais ensinos você aprendeu nesta lição? O que você identificou em sua vida que precisa mudar? Quais lições você precisa aplicar? Quais decisões você precisa tomar para vivenciar estes ensinos em sua vida e família?

Oração


Não deixe de orar meditando em todas as lições, agradecendo a Deus e pedindo-lhe que realize todas as mudanças necessárias em você e através de você, seja entre seus familiares, irmãos na fé e em todos ao seu redor.

* Extraído e organizado a partir da obra: LOPES, Hernandes Dias. Mensagens Selecionadas para a Família. São Paulo: SP. Editora United Press/Ultimato, 2017.

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