O relacionamento entre pais e filhos

Por 25 de agosto de 2019 Devocionais

Efésios 6.1,4
Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. […] E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.

Reflexão


Quando o apóstolo Paulo escreveu sua carta aos Efésios, ordenando aos pais: E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira… (Ef 6.4), estava em vigência no Império Romano o regime do patria potestas. O pai tinha o direito absoluto sobre os filhos: podia casá-los, divorciá-los, escravizá-los, vendê-los, rejeitá-los, prendê-los e até matá-los. Hoje, vivemos o reverso dessa triste situação. Nos idos de 1960, surgiu com a revolução hippie a aversão a toda instituição e autoridade. A família foi profundamente afetada. A autoridade dos pais foi questionada, desafiada e repudiada.

Precisamos buscar a verdade para estabelecermos relacionamentos saudáveis entre pais e filhos, e essa verdade está nas Escrituras. Martyn Llovd-Jones nos ajuda a compreender esse texto em sua exposição de Efésios. O apóstolo Paulo fala de duas coisas aqui:

1. O DEVER DOS FILHOS COM OS PAIS (Ef 6.1-3).

Há três motivos pelos quais os filhos devem obedecer aos pais:

Em primeiro lugar, a natureza (Ef 6.1). A obediência dos filhos aos pais é uma lei da própria natureza, é o comportamento padrão de toda sociedade. Os moralistas pagãos, os filósofos estoicos, a cultura oriental, as grandes religiões também desfraldam essa bandeira. Por isso, a desobediência aos pais é um sinal de decadência da sociedade (Rm 1.28-30; 2Tm 3.1-3).

Em segundo lugar, a lei (Ef 6.2,3). Honrar pai e mãe é mais do que obedecer. Os filhos devem não apenas prestar obediência, mas também devotar amor, respeito e cuidado pelos pais. Honrar pai e mãe é honrar o próprio Deus; de igual modo, resistir à autoridade dos pais é resistir à autoridade de Deus. Honrar pai e mãe traz benefícios preciosos, como prosperidade e longevidade (Dt 5.16). Muito sofrimento, muitas lágrimas, muitas decisões precipitadas e muitos casamentos infelizes deixariam de acontecer se os filhos obedecessem a seus pais.

Em terceiro lugar, o evangelho (Ef 6.1). Os filhos devem obedecer aos pais no Senhor. Eles obedecem aos pais porque são servos de Cristo e porque isso é agradável ao Senhor.

2. O DEVER DOS PAIS COM OS FILHOS (Ef 6.4).

O apóstolo Paulo exorta os pais a não excederem sua autoridade, mas a contê-la. Mediante o patria potestas, o pai tinha todo o poder e podia castigar os filhos e abusar deles, exorbitando, assim, em sua função. Paulo, porém, ensina que o pai cristão deve imitar outro modelo. A paternidade é derivada de Deus (Ef 3.14,15; 4.6). Os pais humanos devem cuidar dos filhos como Deus Pai cuida da sua família. Paulo trata do assunto de dois modos:

Em primeiro lugar, uma exortação negativa (Ef 6.4). E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira… Os pais, no exercício da sua autoridade, podem exorbitar em sua função e abusar dos filhos. Tanto o excesso como a ausência de autoridade provocam ira nos filhos e também geram desânimo (Cl 3.20). Os pais podem provocar a ira dos filhos: a) Por excesso de proteção — encarando-os sempre como crianças que precisam de cuidado e proteção, b) Por favoritismo – Isaque e Rebeca cometeram esse grave erro. Isaque amava mais a Esaú, enquanto Rebeca tinha preferência por Jacó (Gn 25.28). Assim, os pais jogaram um filho contra o outro, c) Por desestímulo – há pais que nunca estilo satisfeitos com os filhos. Cobram muito, mas não os elogiam em nada. Não dosam disciplina com encorajamento. Os filhos nunca conseguem atingir a expectativa dos pais. d) Por não reconhecerem a diferença dos filhos – não há nada mais perigoso do que comparar um filho com outro. Se eles são peculiares. não podem ser medidos pelo mesmo padrão. Eles têm personalidade, temperamento e habilidades diferentes. Muitos pais agridem os filhos querendo determinar para eles a escolha profissional e até mesmo o cônjuge, e) Por falta de diálogo – os pais irritam os filhos quando se trancam atrás dos muros do silêncio e fecham os canais de comunicação com eles. Davi chorou a morte de Absalão, mas não conversou com ele quando estava vivo. f) Por palavras ásperas ou agressão física – os filhos ficam desanimados quando são castigados por motivos fúteis e por destempero emocional dos pais.

Em segundo lugar, exortações positivas (Ef 6.4). Os pais devem criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor. A palavra “criar” significa nutrir, alimentar. Calvino traduziu essa expressão como “sejam acalentados com afeição”. Os filhos precisam de segurança, limites, amor e encorajamento. Os pais devem, também, treinar os filhos por meio da disciplina. A palavra paidéia significa treinar por meio da disciplina. Outrossim, os pais precisam encorajar os filhos por meio da palavra. A palavra “admoestação”. nouthesia, significa educação verbal. É advertir e também estimular, finalmente, os pais são responsáveis pela educação cristã dos filhos. A expressão “no Senhor revela que o responsável pela educação dos filhos não é a escola nem mesmo a igreja, mas os próprios pais. A preocupação básica dos pais não é apenas que seus filhos se submetam a eles, mas que cheguem a conhecer e obedecer ao Senhor.

Decisão


Quais ensinos você aprendeu nesta lição? O que você identificou em sua vida que precisa mudar? Quais lições você precisa aplicar? Quais decisões você precisa tomar para vivenciar estes ensinos em sua vida e família?

Oração


Não deixe de orar meditando em todas as lições, agradecendo a Deus e pedindo-lhe que realize todas as mudanças necessárias em você e através de você, seja entre seus familiares, irmãos na fé e em todos ao seu redor.

* Extraído e organizado a partir da obra: LOPES, Hernandes Dias. Mensagens Selecionadas para a Família. São Paulo: SP. Editora United Press/Ultimato, 2017.

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