Pais segundo o coração de Deus

Por 1 de setembro de 2019 Devocionais

Colossenses 3.21
Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.

Reflexão


A paternidade é uma das mais sublimes missões da humanidade e das mais complexas. Há muitos homens que ganharam notoriedade na sociedade e perderam os filhos. Galgaram os degraus da fama e do sucesso e sofreram derrotas fragorosas dentro do lar. Há aqueles, também, que jamais subiram ao pódio da fama, mas construíram famílias sólidas e edificaram relacionamentos saudáveis no lar. A Bíblia aponta vários exemplos de homens que foram grandes líderes, tornaram seus nomes célebres, alcançaram vitórias retumbantes contra seus inimigos e figuram na constelação dos grandes deste mundo, mas fracassaram fragorosamente no campo da família. Homens como Isaque, Davi e Josafá são enaltecidos ainda hoje pelas suas virtudes e conquistas fora dos portões da família, mas sofreram derrotas amargas no contexto familiar.

Ser pai não é uma missão simples. A paternidade responsável exige preparo, análise, avaliação e inteira dependência de Deus. Temos não apenas o privilégio de gerar filhos, mas também a responsabilidade de educá-los. A educação dos filhos é um investimento que exige compromisso, coerência e muito trabalho. A Bíblia diz que devemos ensinar os filhos com o exemplo (Dt 6.1-6). Devemos fazê-lo com perseverança e criatividade. Dentre as várias áreas na educação dos filhos, destacamos três indispensáveis:

1. OS PAIS PRECISAM CUIDAR DA FORMAÇÃO MORAL DOS FILHOS (Ef 6.4).

Hoje, vivemos numa sociedade profundamente influenciada pela pós-modernidade, que transporta em sua bagagem três tendências perigosas: a pluralidade, a privacidade e a secularização. Há muitos conceitos e valores correndo por aí. O mundo cada vez mais rejeita a idéia de uma verdade absoluta. Os padrões morais graníticos e absolutos são considerados extremos, fundamentalistas e radicais. O mundo pós-moderno é uma grande arca que abriga toda sorte de pensamentos, religiões e filosofias. Acabou-se a idéia do conflito, da apologética, da discussão. Cada pessoa tem espaço para viver a sua crença, a sua filosofia de vida, o seu padrão moral. Nesse contexto, os pais não interferem na vida dos filhos. Cada um tem uma vida autônoma.

A ética pós-moderna é, também, profundamente privativa. Cada um vive a sua vida sem ter de prestar contas a ninguém. Não existe um código de ética com valores absolutos. Cada um tem a sua verdade, os seus princípios e valores. A ética tornou-se individual e privativa. Assim, no conceito pós-moderno, os pais não têm o direito de interferir na conduta dos filhos, não têm o direito de impor-lhes um padrão de conduta. As pessoas passam a viver dentro da mesma casa, debaixo do mesmo teto, mas sem nenhum comprometimento, aliança ou sentido de pertença.

Prevalece também na cultura pós-moderna a secularização. O homem é o centro de todas as coisas. Tudo deve girar em torno dele, para agradá-lo e promover o seu prazer imediato. Não há espaço para Deus nem para a sua verdade. Nesse ambiente confuso, os pais cristãos precisam voltar-se para a palavra de Deus, a verdade infalível, inerrante e suficiente, para forjar o caráter de seus filhos. Nossos filhos precisam ter caráter no meio de uma geração em que a corrupção trafega desde as mais altas cortes até as choupanas mais pobres. Precisam aprender a ser verdadeiros meio de uma geração que tem vergonha de ser honesta. Precisam aprender a prática da justiça onde os escândalos de toda ordem são a principal atração dos meios de comunicação. Precisam aprender a amar, mesmo num mundo marcado pelo ódio e pelas guerras. Construir o caráter dos nossos filhos é mais importante que construir impérios. Nossos filhos precisam mais de ensino e sabedoria do que de fortunas. O bom nome vale mais do que riquezas.

2. OS PAIS PRECISAM CUIDAR DA VIDA ESPIRITUAL DOS FILHOS (Ef 6.4).

Nossa sociedade está profundamente secularizada. Ter está se tornando mais importante do que ser. Os pais investem muito na formação intelectual e profissional dos filhos, mas, não raro, os deixam órfãos na área espiritual. Três coisas são essenciais na formação espiritual dos filhos.

Primeiro, os pais precisam ensinar os filhos a amar e a temer a Deus de todo o coração. O único antídoto que pode proteger os jovens da sedução do mundo e das paixões da mocidade é o amor a Deus. José do Egito resistiu à sedução da mulher de Potifar porque ele entendeu que a infidelidade é um pecado contra Deus (Gn 39.9). A consciência de que a maior malignidade do pecado é atentar contra a santidade de Deus é o que nos livra dos laços do pecado.

Segundo, os pais precisam ser modelos para os filhos. Não ensinamos apenas com palavras, mas, sobretudo, com exemplo (Pv 22.6). Um exemplo vale mais do que mil palavras. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz de fazê-lo. Os pais precisam ser coerentes. Precisam viver o que ensinam e ensinar o que vivem. Precisam ser o espelho de seus filhos. O espelho é mudo, mas é eloquente.

Terceiro, os pais precisam orar pelos filhos. Os pais são sacerdotes do lar. Eles devem não apenas falar de Deus para os seus filhos, mas, sobretudo, falar de seus filhos para Deus. Eles devem constantemente apresentá-los ao trono da graça. Devem interceder por eles, chorar por eles, jejuar por eles e jamais abrir mão de vê-los como coroa de glória nas mãos do Senhor. De nada adianta os pais ganharem o mundo inteiro e perderem seus filhos. A herança de Deus na vida dos pais não é dinheiro, riqueza ou lama, mas os filhos. Precisamos criar os nossos filhos para a glória de Deus. Eles devem ser mais filhos de Deus do que nossos. Nenhum sucesso compensa o fracasso dos filhos. Billy Graham disse num congresso mundial de evangelização em Amsterdã que Noé foi o maior evangelista do mundo, pois, embora não tenha levado nenhuma pessoa a Cristo, conseguiu salvar toda a sua família.

3. OS PAÍS PRECISAM CUIDAR DA VIDA RELACIONAL DOS FILHOS (Ml 4.6).

É triste constatar que há conflitos de geração dentro da família. Os pais não conseguem falar a linguagem dos filhos. Os filhos não conseguem compreender os pais. Há intransigência, indiferença e distância nos relacionamentos dentro do lar. Em vez de ser um lugar onde a fragrância do amor e o perfume da harmonia prevaleçam, o lar tem sido, muitas vezes, uma arena de brigas e um picadeiro de agressões veladas, verbais e até físicas.

A comunicação precisa ser restabelecida no relacionamento entre pais e filhos. O coração dos pais precisa ser convertido aos filhos, e o coração dos filhos, a seus pais. Os pais têm de ser sensíveis às necessidades emocionais dos filhos. Precisam aprender a ouvi-los. Precisam construir pontes de amizade a fim de que os filhos encontrem neles apoio, encorajamento e compreensão. O lar deve ser um lugar de refúgio, e não um campo de batalhas e contendas. Os pais precisam aprender a falar com os filhos. Falar a verdade em amor. Falar na hora certa, com a motivação certa, com o tom de voz certo. Os pais precisam disciplinar os filhos com brandura, coerência e espírito de amor e mansidão. Não devem provocá-los à ira, mas encorajá-los, ensiná-los e abençoá-los. Os pais precisam ser presentes e participativos na vida dos filhos. Devem ser seus melhores amigos, ajudando-os a chegar à maturidade física, emocional, moral e espiritual. Deus está procurando pais segundo o seu coração; pais que amem os filhos, que vivam para os filhos e os ensinem a viver uma vida digna de Deus nesta geração.

Decisão


Quais ensinos você aprendeu nesta lição? O que você identificou em sua vida que precisa mudar? Quais lições você precisa aplicar? Quais decisões você precisa tomar para vivenciar estes ensinos em sua vida e família?

Oração


Não deixe de orar meditando em todas as lições, agradecendo a Deus e pedindo-lhe que realize todas as mudanças necessárias em você e através de você, seja entre seus familiares, irmãos na fé e em todos ao seu redor.

* Extraído e organizado a partir da obra: LOPES, Hernandes Dias. Mensagens Selecionadas para a Família. São Paulo: SP. Editora United Press/Ultimato, 2017.

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