Pai, um homem de valor

Por 10 de novembro de 2019Devocionais

Deuteronômio 6.6,7
Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

Reflexão


Ser pai é um sublime privilégio, mas também uma imensa responsabilidade. Não basta gerar filhos; é preciso fazer grandes investimentos na vida deles para educá-los e prepará-los para a vida. Muitos homens tornam-se famosos e alcançam o apogeu do sucesso na carreira profissional, mas poucos têm êxito no recôndito do lar. Grandes homens, como Isaque e Jacó, cometeram sérios erros na criação dos filhos. Homens que exerceram sólida liderança espiritual sobre multidões, como Eli e Samuel, não lograram êxito na formação moral e espiritual dos filhos. O maior rei de Israel, Davi, depois de vitórias retumbantes na vida, sofreu as maiores derrotas dentro do lar. Jean-Jacques Rousseau, o filósofo francês que advogou a bondade inerente do homem, enjeitou os seus filhos, negando na prática sua teoria. A paternidade responsável é um grande desafio ainda hoje. Vamos observar, à luz da palavra, alguns princípios importantes para os pais.

1. O PAI É EXEMPLO PARA OS FILHOS (Dt 6.4-7).

Antes de um pai ensinar os filhos, ele precisa viver o que ensina. Albert Schweitzer disse corretamente que o exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz de fazê-lo. O pai não pode apenas ensinar o caminho aos filhos, mas ensinar no caminho (Pv 22.6). O pai é como um espelho. O espelho, embora mudo, demonstra. Precisamos de pais que sejam modelo de honestidade, de piedade e de vida cheia do Espírito.

O pai é um homem que ama a Deus, vive com Deus e ensina os filhos pelo exemplo (Dt 6.4-6). O livro de Deuteronômio diz que, antes de instruir nossos filhos acerca de Deus, devemos amar a Deus sobre todas as coisas. Antes de inculcar em nossos filhos os preceitos de Deus, devemos ter no coração a palavra de Deus. Não podemos dar o que não temos. Não podemos exigir dos nossos filhos aquilo que não vivemos. Uma das grandes tragédias da família contemporânea é que os pais deixaram de ser modelo para os filhos. Muitos pais tropeçam na palavra e claudicam na conduta. A inconsistência na vida e nas palavras esvazia a autoridade dos pais. Estes precisam ser como espelho para os filhos. O espelho não grita; demonstra. Não faz discurso; revela. Os pais precisam amar a Deus, andar com Deus e ser exemplo para os filhos, se quiserem vê-los andando por essas mesmas veredas.

2. O PAI ENCONTRA TEMPO PARA OS FILHOS (Jó 1.5).

Quem ama prioriza. Quem ama encontra tempo para a pessoa amada. Um pai jamais sacrifica o importante no altar do urgente. Tudo à nossa volta tem o apelo do urgente. Mas nem sempre o urgente é importante. Os filhos são importantes. Eles merecem o melhor do nosso tempo, da nossa agenda, da nossa atenção. Se um pai está tão ocupado a ponto de não ter tempo para os filhos, ele está ocupado demais. Na verdade, nenhum sucesso compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. A herança de Deus na vida dos pais não é o dinheiro, mas os filhos (Sl 127.3). Presentes jamais substituem a presença do pai. Os filhos precisam dos pais, mais do que de coisas. Jó era um homem rico. Ele tinha uma agenda congestionada. Tinha muitas propriedades, muitos rebanhos e muitos servos. Mas ele dedicava o melhor do seu tempo para conversar com os filhos e orar por eles (Jó 1.5).

3. O PAI EQUILIBRA CORREÇÃO E ENCORAJAMENTO (Ef 6.4).

O rei Davi pecou contra seus filhos porque não gostava de contrariá-los. O sacerdote Eli foi acusado de amar mais os filhos do que a Deus, mas seu amor não era responsável, pois ele foi conivente com o erro de seus filhos e não teve pulso para corrigi-los. Deixar de corrigir os filhos é um grande perigo. Porém, a correção precisa ser equilibrada com encorajamento. Os filhos precisam ser estimulados pelos pais. O elogio sincero e a apreciação dos filhos são ferramentas importantes na sua formação emocional. Os filhos precisam ser amados, protegidos e orientados pelos pais. Correção sem encorajamento é castigo; encorajamento sem correção é bajulação. Ambas as atitudes estão fora do propósito de Deus.

4. O PAI CUIDA DA VIDA ESPIRITUAL DOS FILHOS (Ef 6.4).

Não basta ao pai dar teto, comida, roupa, educação e segurança aos filhos. Ele precisa prioritariamente conduzir seus filhos pelos caminhos do Senhor. O pai deve gerar seus filhos não apenas biologicamente, mas também espiritualmente (SI 78.3-8). Um pai que faz a diferença é como o patriarca Jó, que intercedia todas as madrugadas pelos filhos e os chamava para santificá-los. Precisamos de pais que aspirem não apenas ao sucesso profissional dos filhos e invistam não somente no seu êxito estudantil, mas busquem prioritariamente a salvação de seus filhos. Não basta ter filhos brilhantes; precisamos ter filhos salvos. Não basta ter filhos bem-sucedidos profissionalmente; precisamos ter filhos consagrados a Deus. Nossos filhos devem ser mais filhos de Deus do que nossos. Eles devem ser criados para realizar os sonhos de Deus mais do que os nossos. Eles devem viver para a glória de Deus mais do que para a nossa realização pessoal.

O pai é um homem que se empenha zelosamente na educação espiritual dos filhos (Dt 6.7). O livro de Deuteronômio diz que os pais precisam inculcar na mente dos filhos a palavra de Deus. Essa palavra, “inculcar”, significa falar e repetir. Não é ensino ligeiro e superficial, mas claro, sólido e constante. É falar um e continuar falando até imprimir na mente dos filhos as sagradas letras. A educação espiritual dos filhos é de responsabilidade dos pais (Ef 6.4I É o pai que tem o compromisso de criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor. O lar é a grande escola espiritual dos filhos. O lar é a trincheira onde a batalha espiritual pelos filhos é ganha ou perdida. Os pais precisam ter tempo para ensinar, ouvir, orar, chorar e celebrar com os filhos.

5. O PAI SE ESMERA EM ENSINAR OS FILHOS NA DINÂMICA DA VIDA (DT 6.7-9).

O livro de Deuteronômio diz que os pais devem falar com os filhos andando pelo caminho, ao levantar e ao deitar. Não se trata de uma pedagogia engessada, inflexível e enfadonha. Os pais precisam ser criativos na abordagem, sensíveis na metodologia e firmes e consistentes no conteúdo. A verdade não pode ser negociada. Os absolutos de Deus não podem ser relativizados. Dois perigos são aqui apontados: o primeiro deles é mudar a mensagem, o segundo é ossificar os métodos.

Os pais ensinam aos filhos a palavra de Deus quando levantam, quando caminham e quando deitam. Ensinam a palavra, e não conceitos humanistas. Ensinam pelo exemplo, e não pela imposição. Ensinam com leveza, e não com rigidez. O maior investimento que os pais podem fazer na vida é o investimento que fazem nos filhos. O maior investimento que podem fazer nos filhos é inculcar neles a bendita palavra de Deus. A maior alegria dos pais é ver seus filhos andando na verdade. Para alcançarmos essa meta bendita, precisamos de pais crentes, homens fiéis à palavra de Deus, homens de oração, homens de valor!

Decisão


Quais ensinos você aprendeu nesta lição? O que você identificou em sua vida que precisa mudar? Quais lições você precisa aplicar? Quais decisões você precisa tomar para vivenciar estes ensinos em sua vida e família?

Oração


Não deixe de orar meditando em todas as lições, agradecendo a Deus e pedindo-lhe que realize todas as mudanças necessárias em você e através de você, seja entre seus familiares, irmãos na fé e em todos ao seu redor.

* Extraído e organizado a partir da obra: LOPES, Hernandes Dias. Mensagens Selecionadas para a Família. São Paulo: SP. Editora United Press/Ultimato, 2017.

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