O retrato de uma mãe

Por 24 de novembro de 2019 Devocionais

Provérbios 31.26
Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua.

Reflexão


O grande estadista norte-americano Abraham Lincoln disse que as mãos que embalam o berço governam o mundo. As mães têm uma grande influência na formação dos filhos, na estruturação da família, na edificação da igreja e na construção da sociedade. Peter Marshall, capelão do Senado norte-americano, em seu célebre sermão “Guarda das fontes”, conta a lenda de uma personagem misteriosa que vivia nas matas e cuidava das fontes que abasteciam a cidade. Tudo ali era encantador. Os cisnes desciam nos jardins engrinaldados. As crianças, cheias de vigor, brincavam nas praças sob o alarido dos pássaros. A relva farfalhante cobria-se de borboletas multicores. O arvoredo enchia de verdor e sombras refrescantes as tardes encantadoras. Um dia, porém, a câmara municipal descobriu o salário desse guarda das fontes e resolveu fazer uma contenção de despesas, dispensando o funcionário misterioso c construindo grandes caixas d agua de concreto.

Não tardou para que a água ficasse salobra e lodacenta. As crianças ficaram doentes, e os cisnes voaram para outras paragens. A cidade cobriu-se de tristeza, e a morte mostrou ali sua face carrancuda. Os vereadores, imediatamente percebendo o erro da decisão tomada, contrataram de volta o guarda das fontes, e a vida, a saúde e a alegria voltaram a reinar naquela cidade. Os cisnes retornaram, o passaredo voltou a cantar, as crianças, alegres, brincavam novamente nas praças. O ar se encheu de vera felicidade. As mães são as guardiãs das fontes. Elas, mais do que ninguém, cuidam para que não se acumulem nessas fontes lodo e lixo.

Examinemos alguns aspectos fundamentais do papel da mulher como mãe:

1. A MÃE COMO EDUCADORA (Pv 31.26).

Agostinho de Hipona disse que uma mãe deve educar um filho vinte anos antes de ele nascer. Antes de cuidar dos filhos, a mãe precisa cuidar de si mesma. Antes de ensinar os filhos, a mãe precisa educar a si mesma. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única forma eficaz de fazê-lo. As mães são as verdadeiras guardiãs dos valores morais que devem ser esculpidos na vida dos filhos. Elas são, na linguagem de Peter Marshall, as guardiãs das fontes. As mães devem dar aos filhos não apenas o leite materno, mas também o leite genuíno da palavra, ensinando-lhes as sagradas letras.

Muitas famílias estão transferindo a educação dos filhos para a escola e a igreja. Embora essas instituições exerçam importante papel na educação dos nossos filhos, o lar é o grande instituto formador do caráter. É no recesso do lar que forjamos o caráter dos nossos filhos. E nessa trincheira que a batalha é ganha ou perdida.

2. A MÃE COM O CONSELHEIRA (Pv 31.26).

Os filhos precisam não apenas de alimento, roupa, casa e estudos, mas também de orientação. O maior legado que uma mãe pode dar aos filhos não é o que se compra com dinheiro, mas a orientação sábia e os conselhos sensatos que lhes servirão de farol na jornada da vida. A Bíblia diz que a mulher prudente edifica a sua casa e que as palavras de sabedoria estão nos seus lábios. Vivemos num mundo confuso, onde muitas vozes ecoam buscando atrair os jovens, oferecendo-lhes prazeres e sucesso. As mães devem orientar os filhos a seguir o caminho da santidade, e não o da popularidade. O bom nome vale mais do que riqueza. O caráter vale mais do que sucesso. A salvação dos filhos é melhor do que todos os troféus que o mundo pode oferecer.

3. A MÃE COMO INTERCESSORA (1Sm 1.27).

Ninguém ora pelos filhos como as mães. Elas têm se colocado na brecha em favor dos filhos, com lágrimas e senso de urgência. Uma mãe é alguém que se sacrifica para ver os filhos salvos. Ela passa noites indormidas e madrugadas insones de joelhos em favor dos filhos para que eles sejam usados por Deus. Bendito é o filho que tem uma mãe intercessora, que, no congestionamento de uma agenda apertada, encontra tempo para estar a sós com Deus. As mães intercessoras falam mais de seus filhos para Deus do que de Deus para seus filhos. Elas não descansam enquanto não veem os filhos sendo restaurados e levantados como coroas de glória na mão do Senhor. Um filho nunca é pobre se tem uma mãe que ora por ele. Mônica orou por seu filho Agostinho durante trinta anos. Ambrósio disse mais tarde que um filho de tantas lágrimas jamais poderia perecer. Agostinho foi o maior expoente da igreja nos séculos, 4 e 5, um homem cujo legado continua influenciando pessoas depois de mais de mil anos. Susanna Wesley, mesmo tendo dezenove filhos, reservava uma hora por dia para orar em favor de sua família. Essa guerreira de oração legou ao mundo John Wesley, o maior avivalista do século 18.

4. A MÃE COMO AMIGA E CONFIDENTE (Pv 31.26).

A maioria dos filhos tem liberdade de abrir o coração para a sua mãe. Normalmente, as mães são pessoas sensíveis, compassivas e solidárias. As mães constroem pontes de contato com os filhos e edificam relacionamentos íntimos e duradouros. As mães são amigas de seus filhos, e estes encontram nelas um porto seguro nas tempestades da vida, um oásis nos desertos causticantes da jornada. Bendito é o filho que pode ter uma mãe que o cobre de ternura na hora da sua aflição, que lhe abre os braços na hora da solidão e lhe escancara o coração generoso na hora de sua necessidade.

Decisão


Quais ensinos você aprendeu nesta lição? O que você identificou em sua vida que precisa mudar? Quais lições você precisa aplicar? Quais decisões você precisa tomar para vivenciar estes ensinos em sua vida e família?

Oração


Não deixe de orar meditando em todas as lições, agradecendo a Deus e pedindo-lhe que realize todas as mudanças necessárias em você e através de você, seja entre seus familiares, irmãos na fé e em todos ao seu redor.

* Extraído e organizado a partir da obra: LOPES, Hernandes Dias. Mensagens Selecionadas para a Família. São Paulo: SP. Editora United Press/Ultimato, 2017.

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