As Escrituras são suficientes

Por 5 de janeiro de 2020Devocionais

2 Timóteo 3.16-17
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.

Reflexão


A doutrina da suficiência das Escrituras repousa no coração do que significa ser um protestante. Protestantismo e catolicismo romano compartilham muito em comum em termos de teologia básica, tal como o comprometimento com as doutrinas da Trindade e encarnação. Quando se fala a respeito de assuntos de autoridade, entretanto, há grandes divergências. Uma dessas é a respeito da Escritura: a Escritura é suficiente como autoridade para a igreja ou não?

1. O QUE SIGNIFICA QUE A ESCRITURA É SUFICIENTE?

Precisamos, é claro, analisar o que significa quando dizemos que a Escritura é suficiente. Se meu carro quebra, ou estou tentando investigar quem cometeu um crime em um enigma particularmente complexo, não encontrarei a resposta na Bíblia, nem encontrarei a discussão do genoma humano. Na verdade, o escopo da suficiência das Escrituras é simplesmente resumido na Questão 3 do Catecismo Puritano, compilado por C. H. Spurgeon: “O que as Escrituras ensinam principalmente? As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus, e quais os deveres Deus requer do homem.

Em outras palavras, as Escrituras são suficientes para uma tarefa específica: elas revelam quem Deus é, quem o homem é em relação a ele e como esse relacionamento deve ser articulado em termos de adoração. Em algumas áreas, as Escrituras são suficientes para ensinar princípios, mas não para prover detalhes específicos. Por exemplo, elas ensinam que a igreja deveria se reunir para adoração no Dia do Senhor, elas não especificam precisamente tempo e local.

A última observação, é que, dizer que a Escritura é suficiente para a igreja não é dizer que há somente uma coisa necessária. Oficiais e credos/confissões/estatutos de fé (formas que concordam com as sãs palavras) também parecem ser parte básica da visão de Paulo para uma igreja pós-apostólica, como se observa em suas cartas.

Dados esses fatores, há um sentido em que podemos dizer que os protestantes acreditam na insuficiência das Escrituras: reconhecemos que a Escritura é insuficiente para muitos detalhes da vida diária, tal como a manutenção de uma motocicleta e cozinhar carne. Ela é suficiente, entretanto, para regular o conteúdo doutrinário da fé cristã e a vida da igreja em um nível principal. Esse é o ponto de Paulo em 2Timóteo 3.16. Em outras palavras, falar da suficiência das Escrituras é uma forma de falar acerca da autoridade única da Escritura na vida da igreja e do crente como autoritativa e fonte suficiente para princípios de fé e prática.

2. A ESCRITURA É SUFICIENTE PARA O QUE?

Podemos elaborar isso. Primeiro, a Escritura é suficiente como base noética do conhecimento de Deus. Isso significa que toda afirmação teológica tem que ser consistente como ensino da Escritura. A declaração “Deus é Trindade” não é achada em lugar algum da Bíblia; mas seu conteúdo conceitual está lá. Esse é o motivo pelo qual deveria ser afirmada por todos os cristãos. Em contraste, “Maria foi concebida sem pecado original” não é um conceito encontrado na Escritura. Católicos romanos que afirmam a noção revelam dessa forma sua visão que a Escritura não é a base suficiente para teologia, mas precisa ser suplementada pelo ensino do Clero da igreja.

Segundo, a Escritura é suficiente para a prática cristã. No nível do comportamento, a Escritura oferece princípios que guiam crentes em suas vidas dia a dia. A Escritura provê princípios gerais totalmente adequados e suficientes que podem ser aplicados em situações éticas específicas. Por exemplo, a Bíblia pode não fazer referência às células-tronco, mas contém princípios que deveriam moldar nossas atitudes para com elas.
Terceiro, no nível da igreja e instituição, a Escritura é novamente suficiente para os princípios de organização e adoração pública. Em termos de organização, Paulo vê aqueles que possuem cargos e confissões/credos como vitais para a saúde corrente da igreja. Quanto aos que possuem cargos, a Escritura também descreve o tipo de homens que devem ser apontados. Quanto aos credos, meu primeiro ponto acima – que a Escritura é suficiente como a norma do conteúdo da declaração doutrinária – é claramente relevante.

Quarto, em termos de adoração pública, a Escritura é suficiente para estabelecer seus elementos: cantar louvor, oração, leitura e pregação da Palavra de Deus, dízimo e ofertas para a obra da igreja, batismo e a Ceia do Senhor. Com respeito aos credos, a Escritura também é suficiente para regular a agenda e o conteúdo dos sermões, músicas de louvor, orações, com o que o dinheiro será gasto, quem é batizado e quem recebe a Ceia do Senhor.

Em resumo, alguém pode dizer muitas coisas acerca de como uma igreja em particular entende a suficiência das Escrituras por olhar para sua forma de governo, o conteúdo e ênfase da sua adoração corporativa e a forma como os pastores pastoreiam a congregação.

Decisão


O que você aprendeu sobre a suficiência das Escrituras? Sua vida tem sido guiada pela Palavra de Deus? Discuta com o seu pequeno grupo ou grupo familiar as implicações deste estudo para a sua vida, família e igreja.

Oração


Oh Deus, tu nos ensinastes a guardar os teus mandamentos, amar a ti e ao nosso próximo. Dá-nos graça do Teu Espírito Santo para que nos consagremos a ti de todo o nosso coração e sejamos guiados pela tua santa Palavra. Faz isso em minha vida, em minha família e no teu povo. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor, agora e sempre, amém!

* *Organizado a partir do artigo “As Escrituras são suficientes”, por Carl Trueman, disponível em: <pt.9marks.org/artigo/as-escrituras-sao-suficientes/>.

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